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02/08/2018 - 15h51

Estudante de Farmácia da UFSM apresenta protótipo de aplicativo para auxiliar na Assistência Farmacêutica

Nesta edição do Farmacêutico em Foco conversamos com a estudante de Farmácia Jéssica Saydelles Puerari, que desenvolveu, para seu trabalho de conclusão, um protótipo de aplicativo com o objetivo de promover o uso racional de medicamentos.

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Estudante de Farmácia da UFSM apresenta protótipo de aplicativo para auxiliar na Assistência Farmacêutica

A história da estudante de Farmácia Jéssica Saydelles Puerari na área começou durante o ensino médio. Lidando com as dúvidas que todos adolescentes passam para escolher a profissão ideal, a futura farmacêutica recorreu a uma opção infalível: o conselho de sua mãe, Nilsa Saydelles. Durante a conversa, Nilsa, então, orientou a filha a procurar mais sobre a profissão farmacêutica, pois acreditava que a filha tinha o perfil perfeito.

Foi assim que Jéssica buscou saber mais sobre a área e acabou se apaixonando. E então, após percorrer um longo caminho entre curso técnico em Farmácia e Gestão de Farmácia até entrar na UFSM em 2014, a farmacêutica apresentou seu Trabalho de Conclusão no último dia 2 de julho, que consiste no desenvolvimento de um aplicativo para assistência ao paciente e ao profissional de saúde. Ela foi aprovada e sua formatura será no final do ano.

Veja abaixo como surgiu a ideia para o aplicativo e a história da futura farmacêutica.

CRF-RS: Por que você escolheu a Farmácia como carreira?

Jéssica: Eu me formei na Escola Maria Rocha em 2009 e prestei vestibular para farmácia, mas fiquei como suplente. Então, fiz um Curso Técnico em Farmácia e Gestão de Farmácia para não perder tempo e para ver se realmente eu me identificaria com a área. Junto com o técnico, iniciei um estágio na farmácia interna do Lar das Vovozinhas e, posteriormente em uma farmácia de manipulação, onde trabalhei por um tempo, após concluir o técnico em 2012. Logo que conclui o curso, comecei a trabalhar como Atendente de Farmácia no Hospital da Unimed. Tive oportunidade de conhecer diferentes funções do Farmacêutico em várias áreas, e o que me chamou a atenção foi a possibilidade de fazer tanta coisa e a necessidade de tanto empenho. Fiz vestibular novamente em 2013 e em 2014 entrei na UFSM, na 113ª de Farmácia. Trabalhei à noite e estudei durante o dia até o 8º semestre do curso, e atualmente faço o estágio final da graduação na farmácia São João.

CRF-RS: Seu desejo sempre foi ser uma farmacêutica?

Jéssica: Quando chegou o momento de escolher a minha profissão eu não tinha ideia do que queria cursar, mas sabia que queria algo onde eu pudesse me aventurar em mais de uma área. Eu queria assumir um papel importante e dar uma contribuição real. Quem me sugeriu o curso foi a dona Nilsa Saydelles, minha mãe. Mãe sempre sabe, né! Ela disse para que eu procurasse saber mais sobre a profissão porque ela acreditava que tinha perfil para ser farmacêutica, e foi o que eu fiz. Quanto mais eu conheci a profissão, mais eu vi que é uma área que realmente não é para qualquer pessoa. Exige muita dedicação, força de vontade e visão. Exige que o profissional seja dinâmico e criativo, para encontrar formas de se expressar dentro das mais diversas atuações possíveis e realizar um trabalho que, mesmo que essencial, muitas vezes acaba passando despercebido. Acredito que foram as diversas possibilidades e os desafios que me motivaram a seguir.

CRF-RS: Como surgiu a ideia para o aplicativo?

Jéssica: Como eu sempre trabalhei e estudei, não tive tempo para trabalhar em laboratórios como a maioria dos meus colegas, então, quando chegou o momento de começar a fazer o Trabalho de Conclusão de Curso, eu precisei parar e pensar. Eu queria fazer algo que tivesse impacto. Como o tempo para o desenvolvimento do projeto é curto, eu sabia que não poderia "mudar o mundo" através desse trabalho, mas nada me impedia de plantar uma sementinha que pudesse ser cultivada e, quem sabe um dia, gerasse bons frutos. Foi aí que pensei na Assistência Farmacêutica, que é uma área da farmácia relativamente nova (só foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Saúde na Resolução nº 338 de 06 de maio de 2004) mas que é de extrema importância e tem impacto direto no paciente. Pensei em várias opções, como montar oficinas, banners, folder, site... Mas nada que me motivasse. Um dia expus todos esses pensamentos ao meu pai, Joacir Puerari, que é mais uma daquelas pessoas que detestava tecnologia, até conhecer o celular, sabe? E foi junto com ele que surgiu a ideia de desenvolver um aplicativo. Depois disso a parte mais difícil foi pensar em uma forma de unir a tecnologia e a Assistência Farmacêutica. Comecei a conversar com profissionais, tanto da farmácia quanto da enfermagem, sobre a relevância e usabilidade de um aplicativo dessa natureza. Conclui que seria um desafio realmente muito grande, mas que merecia ser enfrentado.

CRF-RS: Como ele irá funcionar?

Jéssica: Por enquanto, trata-se apenas de um protótipo. Ele consiste em uma ferramenta de acesso à informação voltado principalmente aos usuários SUS, pois reúne as principais informações que o paciente deve saber de fontes como, por exemplo, Formulário Terapêutico Nacional e Ministério da Saúde. Traz uma breve descrição dos blocos de financiamentos de medicamentos do SUS, as listas dos medicamentos pertencentes a estes blocos, portas de acesso e documentação necessária, endereço dos locais de dispensação em Santa Maria e, ainda, orientações como principais indicações, efeitos adversos e modo de armazenamento dos produtos.

O Aplicativo para Assistência ao Paciente e ao Profissional da Saúde (AAPPS) ainda não está pronto, e depois da reunião que tive com a Presidente Silvana, acredito que o meu projeto ainda vai crescer muito e o aplicativo vai trazer ainda mais informações úteis aos pacientes e aos profissionais da área.

CRF-RS: Você buscou alguma parceria para o desenvolvimento dele?

Jéssica: A minha orientadora do TCC, a professora Liziane Maahs Flores fez uma parceria com o co-orientador do trabalho, o professor Carlos Gustavo Lopes da Silva, que é especialista em Tecnologia da Educação. Sem essa parceria teria sido impossível o desenvolvimento do protótipo.

CRF-RS: Tem alguma previsão de quando o app será lançado?

Jéssica: Não. Inicialmente, a ideia do meu TCC era o desenvolvimento e a avaliação do aplicativo, para que pudesse ser validado e disponibilizado para download ainda no primeiro semestre deste ano, porém o trabalho foi crescendo. Durante o decorrer do desenvolvimento percebemos a existência de informações que não poderiam ficar de fora do nosso projeto, e, além disso, precisamos tomar cuidados com uma série de fatores - como a linguagem utilizada, por exemplo. Isto acabou inviabilizando seu lançamento por enquanto, mas com certeza trabalharemos para que ele seja lançado o quanto antes.

CRF-RS: Como você vê o empreendedorismo na área farmacêutica?

Jéssica: Acredito que o farmacêutico deve buscar empreender para que assim tenhamos a farmácia como um estabelecimento de saúde e não comercial. Vejo muita diferença quando um gestor é Farmacêutico e quando é de outra área. Desde o posicionamento dos produtos nas prateleiras até a forma como são direcionados estes produtos. O farmacêutico sabe o que oferecer e para quem oferecer, e, no fim, tanto o cliente quanto o profissional saem no lucro, pois o cliente não vai fazer uso de qualquer produto de qualquer forma.

CRF-RS: Que dicas você poderia dar para farmacêuticos/estudantes que querem inovar na área?

Jéssica: Eu diria: "não tenham medo". Observem atentamente, procurem por possíveis pontos de melhoria, e por menores que estes sejam, invistam neles. Empoderem-se de seus conhecimentos e experiências, usem todos os meios possíveis. Não desistam. É preciso coragem e criatividade para inovar. Conversem com seus pacientes e colegas de trabalho (inclusive de outras profissões). Ouçam suas necessidades e colocações. A área da saúde proporciona e exige a interdisciplinaridade, e quanto mais nos empenhamos em trabalharmos juntos, maior será nosso progresso.


Estudante de Farmácia da UFSM apresenta protótipo de aplicativo para auxiliar na Assistência Farmacêutica