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10/10/2018 - 16h49

Vencedor do Prêmio Sérgio Lamb acredita na aproximação entre ciência e laboratórios de Análises Clínicas

Farmacêutico-Bioquímico do Laboratório de Análises Clínicas Carlos Franco Voegeli da Santa Casa de Porto Alegre e professor dos cursos de Farmacia e Biomedicina da Unisinos, José Antonio Tesser Poloni ganhou o prêmio Sérgio Lamb 2018 na categoria Análises Clínicas.

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Vencedor do Prêmio Sérgio Lamb acredita na aproximação entre ciência e laboratórios de Análises Clínicas

Interessado em ciências desde jovem, José Antonio Tesser Poloni primeiramente tentou ingressar na faculdade de Medicina. Após não passar, devido a grande concorrência e, segundo o próprio, “não ser bom em concursos”, ouviu o conselho da sua mãe e decidiu fazer o vestibular de inverno para Farmácia, na PUCRS, passando na segunda chamada. Quando ingressou na faculdade, viu que o curso abordava todos os assuntos que ele gostava: ciências biológicas, química e saúde em geral, todos contidos, especialmente, na área de análises clínicas.

Hoje, após 18 anos, o farmacêutico venceu o prêmio Sérgio Lamb 2018 na área que se apaixonou quando mais novo: Análises Clínicas. O professor dos cursos de Farmácia e Biomedicina da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), que viajou para a Suíça e Itália buscando se especializar mais, acredita que um maior envolvimento dos laboratórios de análises clínicas  com produção cientifica é um desafio futuro para a área.

Confira abaixo um pouco mais sobre o vencedor do Prêmio Sérgio Lamb 2018.

 

CRF-RS: Farmácia sempre foi sua opção de carreira?

José Antonio: Não. Desde criança eu gostava de Ciências, de maneira geral. Depois, na época do colégio, mais especificamente ciências biológicas, química e assuntos ligados à saúde despontaram como meus maiores interesses. Fiz meu primeiro vestibular para Medicina, mas não passei. Por sugestão da minha mãe fiz o vestibular de inverno para Farmácia na PUCRS, tendo passado em segunda chamada (nunca fui bom em concursos). Resolvi cursar e acabei encontrando meus assuntos de interesse da época do colégio todos contidos, especialmente, na área de análises clínicas. Muitas das disciplinas envolviam microscopia e então descobri algo que amava de fato fazer.

 

CRF-RS: Como você ingressou na área que você atua hoje?

José Antonio: Comecei como estagiário curricular no Laboratório de Análises Clínicas Carlos Franco Voegeli da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Após o estágio, iniciei minha atividade como Farmacêutico-Bioquímico no setor de Bioquímica do laboratório. Posteriormente, fiz treinamentos nos setores de Parasitologia, Microbiologia, Coagulação e Uroanálise. A partir do meu trabalho no setor de Uroanálise começaram a surgir convites para ministrar cursos e palestras sobre este tema iniciando em Porto Alegre, e posteriormente em várias cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil, inclusive nos Congressos da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Posteriormente, fiz o processo seletivo para professor dos cursos de Farmácia e Biomedicina na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) onde atualmente ministro atividades acadêmicas, que em sua maior parte são relacionadas com análises clínicas. Além disso, em virtude do trabalho no laboratório fui convidado pela Controllab, empresa parceira da SBPC/ML para ser consultor para Uroanálise do seu programa de controle de qualidade externo deste tema. Assim, atualmente atuo como farmacêutico-bioquímico/professor universitário/consultor, todas as atividades diretamente ligadas às análises clínicas.

 

CRF-RS: Como foi a sua trajetória na área até ganhar o prêmio?

José Antonio: Meu caminho até o prêmio tem quase 14 anos de atuação profissional em análises clínicas. Não posso esquecer-me do período de iniciação científica na PUCRS onde durante quase toda graduação fui monitor em várias disciplinas e fiz estágio no então Laboratório de Pesquisa em Biofísica sob supervisão do Prof. Dr. Jarbas R. de Oliveira. Com certeza o Prof. Jarbas R. de Oliveira foi e é uma grande influência ensinando os caminhos da pesquisa que procuro seguir até hoje. O fato de ter ingressado em um laboratório de grande porte, com alta tecnologia, extrema qualidade de processos e comprometimento com o paciente além da casuística incrível do Complexo Hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre, foi determinante para que eu pudesse adquirir conhecimento sobre um tema específico (Uroanálise) com uma variedade de exemplos clínicos diários difíceis de encontrar no mundo.

Além disso, no laboratório tive a felicidade de contar com os ensinamentos do Dr. Carlos F. Voegeli, pessoa fundamental na minha carreira e na minha vida e com a parceria dos colegas que contribuem com ensinamentos diários. Também na Santa Casa é importante mencionar as equipes de Nefrologia adulta e pediátrica (nomeando como representantes Dra. Elizete Keitel e Dra. Clotilde D. Garcia) que valorizam enormemente as informações obtidas na microscopia de urina, aproximando o corpo clínico do hospital junto ao laboratório e transmitindo este pensamento para as novas gerações de estudantes. Esta parceria com a nefrologia mudou para melhor os processos de trabalho e linha de pensamento para com o exame de urina. Fiz dois cursos para aprimoramento em microscopia de urina fora do país, um na Itália com o Dr. Giovanni B. Fogazzi (minha maior referência em Uroanálise) e um na Suíça com o Dr. Lukas Bubendorf.

Em virtude do interesse em pesquisa e da experiência prévia com iniciação científica após 6 anos aproximadamente de trabalho acabei concluindo que era hora de me qualificar mais e resolvi fazer um mestrado ingressando no Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Este foi um passo muito importante da minha carreira visto que seria uma qualificação que me possibilitaria posteriormente ingressar na carreira docente. Conheci então uma pessoa fenomenal, minha orientadora até hoje, Profa. Dra. Liane N. Rotta. Orientou-me durante o mestrado e é minha orientadora no doutorado contribuindo muito com um bom direcionamento ao longo desta caminhada. A consultoria em Uroanálise para a Controllab também é uma atividade de grande relevância em minha carreira visto que me possibilita trocar conhecimentos e auxiliar laboratórios e profissionais em todo o país. Posteriormente surgiu a oportunidade de ser professor na Unisinos e iniciei esta nova etapa que confesso, apesar de todo trabalho que demanda, é extremamente recompensadora.

 

CRF-RS: Que desafios futuros você vê para a área?

José Antonio: A minha visão de laboratório de análises clínicas que também é minha visão de desafios futuros é composta por uma tríade: produção de exames laboratoriais com a máxima qualidade realizados em tempo hábil para que o resultado possa ser útil para a conduta clínica; produção científica associada ao trabalho diário; compartilhamento de conhecimento científico aprendido na prática diária com os profissionais da área para melhoria continuada dos processos. Penso em um maior envolvimento dos laboratórios com produção científica e compartilhamento de conhecimento científico visando aumentar a qualidade dos serviços prestados e auxiliando no fim das contas o principal motivo de existência de um laboratório que é o paciente. 

Meu primeiro desafio na minha vida com certeza foi sair de Faria Lemos, distrito (belíssimo!) que fica no interior de Bento Gonçalves para estudar em Porto Alegre. O segundo desafio foi no início da minha carreira no Laboratório de Análises Clínicas Carlos Franco Voegeli da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Na época, tinha feito meu estágio curricular e fui muito bem avaliado. Deixei meu currículo e fui chamado para o processo seletivo tendo sido então chamado para trabalhar. Iniciei no setor de Bioquímica e não tive um bom desempenho, tendo inclusive, sido avaliado no setor para não continuar mais trabalhando, entretanto, o Dr. Carlos F. Voegeli decidiu por me manter no laboratório. Fiquei 1 ano e meio no total, no setor de Bioquímica, profissionalmente falando o período mais difícil que tive em minha vida, até que surgiu uma vaga no setor de Uroanálise. Neste setor se inicia o meu período de grande felicidade profissional.

 

CRF-RS: Que diferencial você vê no seu trabalho?

José Antonio: Acredito que trabalhar com um assunto pelo qual temos afinidade faz com que a atividade diária seja sempre interessante e o profissional trabalha feliz.  Além disso, é fundamental, em qualquer atividade, ter comprometimento com o que se está fazendo. No caso, em saúde, temos que ter comprometimento com nossa atividade e especialmente com o paciente que está buscando o serviço de saúde onde trabalhamos. Acredito também, fortemente, na pesquisa associada à prática diária que permite a construção de conhecimento que deve ser compartilhado a fim de que mais e mais pessoas possam ser ajudadas mundo a fora. Acredito sempre em fazer o melhor possível, fazer tudo que está ao alcance, sempre em prol do paciente. Acredito em saber reconhecer nossas fraquezas, em trabalhar com afinco nossos pontos fortes e em compartilhar o conhecimento. Creio que isso exemplifique meu pensamento e minha maneira de agir profissionalmente.

 

CRF-RS: Qual a importância de ganhar um  prêmio como o Sérgio Lamb?

José Antonio: É a maior premiação concedida para um profissional farmacêutico no Rio Grande do Sul. Isto por si só, já responderia a pergunta, mas, além disso, o Prof. Sérgio Lamb foi diretor da Faculdade de Farmácia da PUCRS durante o período em que fiz minha graduação na universidade, assim, o Prof. Sérgio Lamb sempre foi uma referência que tive na minha formação. Isso aumenta ainda mais a relevância de ser agraciado com este prêmio.


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