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20/12/2018 - 11h57

Informe da Comissão Científica

A assistência farmacêutica ao paciente oncológico é uma das atividades prioritárias no serviço de oncologia.

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Informe da Comissão Científica

A assistência farmacêutica ao paciente oncológico é uma das atividades prioritárias no serviço de oncologia, contribuindo de maneira substancial na melhoria da gestão do autocuidado e no manejo dos sinais e sintomas causados pelos efeitos colaterais, muitas vezes agressivos, associados a esta terapêutica. Esta assistência engloba, além das diversas atividades intrínsecas à promoção, proteção e recuperação da saúde, distintas particularidades, exigindo capacitação diferenciada, contínua e atualizada a fim de suprir as necessidades dos pacientes tratados nesta especialidade.

Além do suporte à prescrição e dispensação dos medicamentos, o farmacêutico assistencial em oncologia, se envolve diretamente com todas as etapas da terapia antineoplásica, desde a seleção e padronização de medicamentos e materiais médico-hospitalares utilizados nos diversos esquemas terapêuticos até o acompanhamento dos parâmetros laboratoriais, alívio de sintomas, medidas de suporte para o tratamento e cuidados paliativos, visando garantir a qualidade da assistência prestada ao paciente por meio do uso seguro e racional de medicamentos.

É importante ressaltar que a assistência farmacêutica em oncologia é feita com a colaboração de outros profissionais envolvidos na linha de cuidado e essa integração é de fundamental importância na orientação dos pacientes, identificando erros relacionados a medicamentos e atuando na prevenção e resolutividade das toxicidades relacionadas. O processo de utilização de medicamentos no serviço de oncologia ocorre por meio de etapas bem definidas e integradas ao processo do cuidado. 

A manipulação dos quimioterápicos, avaliação da infraestrutura da área física e das condições sanitárias e operacionais de trabalho, regidas por normas estabelecidas pelos órgãos de vigilância local, bem como, as normas de circulação referentes a segurança pessoal, ambiental e condições assépticas dos produtos gerados a partir desta atividade são também exercícios, igualmente primordiais, desenvolvidos pelo farmacêutico especialista em oncologia. Nesse contexto, outra etapa de suma importância no processo de preparo dos medicamentos quimioterápicos é a análise e validação das prescrições, etapa em que são verificadas todas as informações pertinentes ao tratamento como nome do paciente, correspondência das doses, ciclo e protocolo de tratamento, tipo de diluente, ordem e tempo de infusão, via de administração, compatibilidades físico-químicas e estabilidade das soluções. 

Levando-se em consideração o sistema constituído pela estrutura organizacional da assistência farmacêutica que envolve seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação, o farmacêutico pode avaliar tecnicamente os produtos utilizados, o cumprimento das exigências legais apresentadas pelo fornecedor, bem como, notificar desvios de qualidade a entidades reguladoras. 

A programação e a aquisição destes medicamentos auxiliam no atendimento a demanda de serviços, em um período definido de tempo, através de dados consistentes sobre o consumo, perfil de utilização e disponibilidade financeira para sua execução. Durante o processo de compra dos quimioterápicos, imunobiológicos e hormônios, deve-se garantir qualidade ao menor custo, visando manter a regularidade e funcionamento do sistema, visto que o valor agregado a estas terapias é especialmente impactante ao orçamento geral de uma instituição.

O armazenamento dos antineoplásicos é outra etapa crítica deste processo, sendo necessária a elaboração de procedimentos operacionais para todas as etapas, além de treinamento da equipe envolvida, para que sejam asseguradas a qualidade dos medicamentos e a minimização dos riscos de exposição ocupacional a esses agentes.

No processo de distribuição destes medicamentos é imprescindível cuidados no transporte e condições em trânsito a que são submetidos estes produtos, muitas vezes sensíveis a variações de temperatura e umidade, além dos riscos de quebra, derramamento e contaminação que podem causar danos tanto a equipe envolvida no transporte, quanto a população circunscrita a este percurso de deslocamento.

O plano terapêutico, traduzido na prescrição de um ou mais medicamentos, bem como medidas terapêuticas não farmacológicas, tem na dispensação a última etapa. Neste ato, o farmacêutico informa e orienta ao paciente sobre o uso adequado dos medicamentos, dando ênfase ao cumprimento da farmacoterapia, influência dos alimentos, interações com outros medicamentos e reconhecimento das principais reações adversas.

Na dispensação de antineoplásicos, além de conhecimentos técnico-científicos, algumas habilidades são necessárias para propiciar a adesão do usuário ao tratamento, como a observação e identificação do perfil emocional destes pacientes, uma vez que a ansiedade e/ou a depressão frente ao diagnóstico e ao tratamento podem dificultar a clareza e a coerência de suas dúvidas, o que facilita o manejo quando não houver boa resposta no primeiro plano terapêutico proposto. A informação deve ser prestada de forma clara, simples e compreensiva, em função das necessidades de cada indivíduo, do nível socioeconômico e cultural, e do tipo de protocolo prescrito.

O destino seguro dos resíduos provenientes dos medicamentos antineoplásicos também é responsabilidade do farmacêutico em conjunto com os demais profissionais de saúde, sendo peça fundamental na elaboração das rotinas de recolhimento, segregação e destinação dos resíduos bem como no treinamento dos funcionários envolvidos e na verificação da conformidade das empresas responsáveis pelo tratamento e disposição final dos resíduos com as normas vigentes de licenciamento ambiental.

A realidade no atendimento em unidades de oncologia demanda a disponibilização de complexo arsenal terapêutico. Esse fato é bastante preocupante na medida em que novos medicamentos são constantemente lançados no mercado, exigindo condutas, no sentido de normatizar a farmacoterapia e promover o uso seguro e racional de medicamentos. 

Diante desse cenário, o farmacêutico assistencial em oncologia é o profissional tecnicamente qualificado, prevenindo, detectando e corrigindo Problemas Relacionados aos Medicamentos (PRM), resultados clínicos negativos, derivados da farmacoterapia que, por diversas causas, conduzem ao não alcance dos objetivos terapêuticos ou ao surgimento de efeitos não desejados. Além disso, este profissional atua na educação do paciente conscientizando-o da necessidade de mudanças na prática de estilos de vida mais saudáveis, e trazendo ao paciente oncológico também à responsabilidade pela sua saúde. 

 

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