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15/01/2019 - 11h39

Uso de medicamentos isentos de prescrição para o trato urinário

Confira as informações selecionadas pela Orientação Técnica do CRF/RS.

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Uso de medicamentos isentos de prescrição para o trato urinário

Existem medicamentos registrados na Anvisa destinados à venda sem necessidade de apresentação da respectiva prescrição (MIPs). Dentre os quais, há os utilizados para desordens no trato urinário, como antissépticos para tratamento da disúria (dificuldade de urinar), dor, ardor, e desconforto para urinar, que possuem indicação terapêutica específica e o seu uso regular pode dificultar o diagnóstico de outras patologias.

Na consulta farmacêutica, a anamnese¹ realizada pelo farmacêutico pode identificar aspectos importantes, como uso regular e prolongado do medicamento além do recomendado, não resolução dos sintomas, e desenvolvimento de potenciais reações adversas. A continuidade do uso do medicamento pode agravar patologia desconhecida, cujos sintomas estão sendo mascarados pelo uso do MIP, como por exemplo, infecção ou inflamação crônica no trato urinário.

Nesse cenário, é importante que o farmacêutico estabeleça estratégias junto ao paciente para evitar o uso inadequado do medicamento, encorajando-o, por exemplo, a consultar seu médico com brevidade e retornar ao farmacêutico para organizar, implementar e acompanhar a farmacoterapia prescrita.

Como exemplo desta classe sanitária, fenazopiridina² é um medicamento que exerce um efeito analgésico na mucosa do trato urinário e é utilizado para alívio sintomático da dor, ardor, urgência, frequência e outros desconfortos resultantes da irritação da mucosa do trato urinário inferior causada por infecção, trauma, cirurgia, procedimentos endoscópicos ou a passagem de sondas ou cateteres, na dose usual de 200mg, três vezes ao dia, após as refeições. É efetiva em adultos, sendo recomendada em alguns casos. A força da evidência se baseia em dados derivados de metanálises de ensaios clínicos randomizados com conclusões conflitantes em relação ao delineamento e graus de resultados entre os estudos individuais; em ensaios clínicos randomizados que envolveram um pequeno número de pacientes ou tiveram falhas metodológicas significativas; e em estudos não randomizados (por exemplo, estudos de coorte, estudos caso-controle, estudos observacionais). A eficácia e segurança não estão estabelecidas para pacientes pediátricos e geriátricos com mais de 65 anos.

O uso de fenazopiridina não deve prejudicar o diagnóstico definitivo e o tratamento da causa; não é um substituto para cirurgia específica ou terapia anti-infecciosa. 

Quando em combinação com antimicrobianos, utilizar para o tratamento inicial (primeiros 2 dias) de infecções não complicadas do trato urinário quando for necessário alívio da dor, da queimação ou da urgência.

Consultar um profissional de saúde, como o farmacêutico ou o médico, se os sintomas de desconforto continuarem após 2 dias de tratamento, inclusive para uso isolado.

Contraindicada em pacientes insuficientes renais moderados a graves, na hepatite grave, ou em pacientes com hipersensibilidade ao fármaco.

Precaução em pessoas com deficiência de G6PD e nos casos de hepatite. 

O tratamento deve ser interrompido se a pele ou a esclera ficarem amareladas (pode indicar acúmulo como resultado da excreção renal prejudicada), e se os sintomas não desaparecerem após 2 dias de tratamento. 

Dentre as reações adversas descritas, pode ocorrer coloração laranja na urina (uso prolongado ou doses elevadas), interferência na urinálise com base nas reações de cor ou espectrometria, insuficiência renal (doses usuais ou sobredosagem), nefrolitíase (uso prolongado de 2 anos).

Monitorar redução da dor, ardor, urgência, frequência, e coloração amarela da esclera e pele. 

A bula do medicamento isento de prescrição disponível para consulta na Anvisa (https://bit.ly/1Q14zlU) nem sempre contém a totalidade de informações úteis aos profissionais de saúde e ao paciente sobre o uso adequado do produto. Diante dessa realidade, o CRF/RS disponibiliza aos farmacêuticos uma sugestão temática de fontes eletrônicas confiáveis sobre tecnologias em saúde, como os medicamentos, para auxiliar na tomada de decisão durante sua prática profissional, cujo material está disponível no Acesso Restrito no site da instituição, na Biblioteca Virtual.

 

1 - Procedimento de coleta de dados sobre o paciente, realizada pelo farmacêutico por meio de entrevista, com a finalidade de conhecer sua história de saúde, elaborar o perfil farmacoterapêutico e identificar suas necessidades relacionadas à saúde

 2 - Informações obtidas consultando fontes eletrônicas terciárias de acesso público descritas nas Referências; sugere-se que outras fontes eletrônicas confiáveis sejam consultadas.

 

Fontes consultadas: 

1. Dynamed. Disponível em https://bit.ly/2J98Wma. Acesso em 10/12/2018.

2. Micromedex. Disponível em https://bit.ly/2J98Wma. Acesso em 10/12/2018.

3. Instrução Normativa Anvisa 11/2016. Dispõe sobre a lista de medicamentos isentos de prescrição. Disponível em https://bit.ly/2BfyvuY. Acesso em 10/12/2018.

4. Resolução CFF 585. Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências. Disponível em https://bit.ly/2r0yBC7. Acesso em 10/12/2018.

5. ANVISA. Medicamentos: Medicamentos Regularizados. Disponível em: https://bit.ly/2rZw6QD. Acesso em 10/12/2018.

 

Consulte aqui as normas sobre áreas temáticas da profissão farmacêutica.

Dúvidas e sugestões? Acesse nossos canais orienta@crfrs.org.br ou Whatsapp (51) 99286-5440 ou (51) 3027-7500

Equipe da Orientação Técnica






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